*Enildo Nascimento
Era uma vez um maravilhoso jardim, situado bem no centro do campo. O dono costumava passear por ele ao sol do meio-dia. Um esbelto bambu era para ele, a mais bela e estimada de todas as árvores plantadas do seu jardim. Este crescia e se tornava cada vez mais lindo. Ele sabia que o seu senhor o amava e que era a sua alegria.
Um dia, o dono pensativo, aproximou-se do seu amado bambu e num sentimento de profunda veneração, este inclinou a cabeça imponente. O senhor disse: “Meu querido bambu, eu preciso de ti”. O bambu respondeu: “Senhor, estou pronto. Faz de mim o que quiseres”! Enfim seu dono precisava dele e ele ia servi-lo. Sentia-se feliz, parecia ter chegado a grande hora, para a qual se preparara a vida inteira. Com uma voz grave, o senhor disse: “Bambu, só poderei usar-te se te podar”. “Podar a mim, senhor? Por favor, não faça isso! Deixe a minha bela figura, não vês que é ela que atrai as pessoas e como todos me admiram”? “Meu amado bambu, não importa que te admirem ou não, se eu não te podar, não poderei usar-te”.
Houve um grande silêncio naquele jardim. Finalmente o lindo bambu inclinou-se e sussurrou: “Senhor, se não podes me usar sem podar, então faz comigo o que quiseres”. O senhor aproveitou aquele momento de entrega e acrescentou: “Devo cortar também as tuas folhas”. O sol se escondeu atrás das nuvens, as borboletas afastaram-se assustadas. O bambu respondeu: “Senhor, corta-as”. “Ainda não basta, devo também cortar-te pelo meio, cortando também teu coração. Se não faço isso não poderei usar-te”. Desesperado o bambu questiona: “Como poderei viver sem coração”? Depois de um profundo silêncio e lágrimas, o senhor desfolhou, decepou, partiu e tirou-lhe o coração. Depois, levou para um campo ressequido, onde havia uma fonte que brotava água fresca. Ligou uma das extremidades decepada à fonte, e as águas cristalinas se precipitaram pelo corpo despedaçado e correram sobre o campo ressequido, que agradeceu. Ali se plantou trigo, arroz, milho e feijão. Passaram-se os dias. A sementeira brotou e cresceu.
O tão maravilhoso bambu de outrora, quando se aniquilou e se despojou, transformou-se numa grande benção. Antes crescia só para si, mas na entrega tornou o canal, pelo qual, o senhor se serviu para tornar fértil a sua terra. Ser útil, dar sentido a existência e contribuir para que o mundo melhore um pouco mais, implica muitas vezes, abrir mão das vaidades e do individualismo. Por isso, uma das máximas de Jesus era: ”Eu vim para servir… ao mundo”. Pense nisso.
Extraído do livro: Códigos da Vida-Legrand- p. 13.
*Pastor Enildo Nascimento é líder de Educação e Lar e Família da Igreja Adventista no Nordeste









